Chegou a hora!

NBB 11 Quinta, 06 de Dezenbro de 2018

As coisas não caminhavam como a gente esperava. Perdemos alguns jogos no final do returno e acabamos a temporada regular em sexto lugar.
Pela frente, tínhamos o Vasco como o primeiro adversário nos playoffs. Era um jogo perigoso e jogar contra atletas experientes era um campo minado. Tudo poderia acontecer e ser eliminado nas oitavas seria um desastre.

O primeiro jogo contra o Vasco foi no Rio de Janeiro. A partida estava indefinida, mas no terceiro quarto as coisas fluíram melhor pra gente.
Foi uma das minhas melhores atuações na temporada. Mas acabei me enroscando com Lucas Mariano em um rebote antes do fim do jogo e, com uma dor insuportável, fui para o banco. Que me%$#?&!!!!

Mas acho que minha lesão não veio por conta desse lance. Algumas semanas antes, fizemos um belo jogo contra o Basquete Cearense lá em Fortaleza que teve aquele lance do Paulinho Boracini que resultou na vitória deles, lembram?
Naquela partida eu tive uma hiperextensão e senti uma dor muito forte. Mas com o corpo quente, a dor logo passou e eu continuei jogando.

Mas o que eu senti no jogo contra o Vasco não foi assim. Lembro que nunca tinha sentido aquele tipo de dor. Foi diferente de todas as dores de lesões que eu já tinha passado porque foi na lateral do joelho e, pelo meu conhecimento de lesão no cruzado, achei que fosse só do momento. Até então, eu sentia um certo medo, mas não pensava nada sobre cirurgia. Eu só ficava mentalizando que aquilo logo passaria.

Depois do jogo, eu já passei por uma ressonância que apontou um edema no joelho direito e que meu ligamento estava comprometido.
Foi difícil aceitar no primeiro momento. Mas como o laudo do exame mostrava que a possibilidade de cirurgia era grande, já quis resolver isso ao invés de ficar me lamentando. Tenho meus momentos de insegurança como qualquer um, mas ao mesmo tempo sou muito prático. Tem que operar? Okay, então bora. Fui ao meu médico e conversamos.
Saí da consulta com a cirurgia marcada para a outra semana.

Até o dia 19 de abril, que foi o dia da operação, eu precisei controlar um pouco minha mente.
Eu estava bem pilhado.
Senti medo e insegurança. Ao mesmo tempo que eu tinha a certeza de que ficaria tudo bem, ficava inconformado por isso ter acontecido no momento que eu achava que o time mais precisava de todos em quadra. E eu sabia que a recuperação levaria tempo.

Mas tudo isso foi rápido. Como meu joelho não estava inchado da lesão, não precisei esperar e pude fazer a cirurgia na semana seguinte.
E assim que eu acordei da anestesia, já condicionei o meu cérebro a focar na recuperação e a não dar espaço para nenhum pensamento ruim.
Eu sabia que voltaria a jogar basquete e eu precisava estar pronto para quando esse momento chegasse.

Operei no dia 19 de abril. Dia 20 eu tive alta e dia 21 já estava na fisioterapia.

Hoje, voltando às quadras, eu sei que minha lesão veio para me ensinar muitas coisas.
Eu estava cego, reclamando demais, querendo cobrar todo mundo a minha volta. Claro que se eu pudesse ter aprendido de outra maneira que não fosse com uma lesão, seria melhor.
Mas acho que tem coisas nesta vida que o outro não pode passar por você. Elas vêm para nos abrir os olhos e nos orientar.
É você que tem que ter essa experiência, sentir na pele e superar.

Todo o processo da fisioterapia, foi como uma terapia para mim.
Ali eu me distraia de qualquer pensamento negativo, tentava exercer meu melhor e só pensava no resultado final: a recuperação.
Mas levei meu espírito competitivo para as sessões também.

- Quanto as pessoas que estão na mesma etapa da recuperação que eu, conseguem de flexão no joelho?
- 10 graus - me respondeu o fisioterapeuta
- Então quero tentar 11.

E essa foi a minha atitude durante esses meses.
Sempre fui competitivo em tudo e eu queria provar para mim mesmo que eu tinha condições de me recuperar rápido.
E foi essa vontade de ser o melhor e de voltar a jogar que me motivou.


Hoje, volto às quadras para ajudar o meu time e fazer o que eu mais amo na vida: jogar basquete.
Ter assistido aos jogos da arquibancada ou no sofá de casa durante oito meses foi muito difícil e só quem é atleta sabe da sensação de impotência que brota na gente nessas horas.
Mas passei oito meses de luta, de superação e de aprendizado.

A ansiedade toma conta de mim e eu só penso na adrenalina do jogo.
Mas meu lado prudente e paciente (aprendi a ter um pouco) fala: "Vai com calma, mas vai".

As coisas nunca vão sair do jeito que a gente quer ou do jeito que a gente acha que é certo.
Cada um vê o jogo de uma maneira, enxerga da sua forma e é preciso ter paciência.
Saber que o coletivo é que manda, que cada peça ali dentro tem sua importância e que dá para ser sereno e o "Brabo" ao mesmo tempo.
Uma nova fase para um novo eu.

Chegou a hora!

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